“Sou fruto de estupro e a favor do aborto”

“Sou fruto de estupro e a favor do aborto”

09/06/2013

Por Olga, 7 de junho de 2013

sou fruto estupro a favor aborto 01

Claudia Salgado, 28 anos, gerente de varejo, fala de forma corajosa sobre a ilegalidade do aborto e suas consequências absurdas. Um viés humano e sincero nesse momento em que se debate o projeto de lei do nascituro.

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Minha mãe tinha 18 anos na época em que foi estuprada. Ela não foi a única que sofreu este tipo de violência na família: tenho uma tia que também foi humilhada e estuprada por mais de um homem, mas não teve frutos disso, a não ser o trauma e a vida quebrada.

Somos de uma cidade muito pequena no interior de Santa Catarina. Ela havia saído com minha tia para dançar em uma matinê e, quando voltou para casa, sofreu agressão física muito brutal do avô, que era militar e muito rigído com regras e com relação às filhas saírem de casa. A família era muito grande – eram 5 filhas no total – e havia muita preocupação com relação as filhas ficarem mal faladas.


Estou abrindo isso para mostrar como ignorância só gera ignorância. Meu avô não é má pessoa, mas ele era alcoólatra e muito severo com as meninas.

Minha mãe ficou desesperada depois da surra que tomou e decidiu fugir de casa com minha tia. As duas estavam muito machucadas e vulneráveis e se sentaram desoladas nas escadarias da Catedral no centro da cidade, onde estes dois homens se aproximaram de forma amigável e ofereceram amparo. Elas inocentemente aceitaram e foram passar a noite na casa deles, onde haviam mais homens. Foi quando toda a violência física ocorreu. Minha tia era mais forte e conseguiu fugir, mas minha mãe não conseguiu e foi violentada por mais de um homem. Somos tão parecidas fisicamente que ela mesmo lamenta o fato de nem sequer saber qual deles é meu pai.

Naquela época as coisas não eram bem explicadas – em sua maioria, eram omitidas. Minha mãe não contou a ninguém o ocorrido, pois, além da vergonha, ela ainda se sentia mortificada de medo de que não acreditassem nela. Ela era tão inocente que nem sabia que estava grávida, nem foi atrás de justiça, apenas se fechou. E quando a barriga ficou impossível de disfarçar, ela não pôde mais negar e outra vez passou por mais humilhação. Teve que sair de casa às pressas, pois meu avô queria matá-la. Eu não acho que, para ela, seguir a gravidez foi uma escolha, ela não entendia o que estava acontecendo e só teve essa opção.

Essa história afetou minha vida e a relação com a minha mãe por muitas razões. Ela não tinha a menor estrutura emocional de ter um filho sob aquelas condições e naquela idade. E eu nunca me senti desejada. Minha infância ficou quebrada e minha vida, incompleta. Só soube dessa história quando tinha 11 anos. Até então, ela dizia que meu pai havia morrido num acidente enquanto ela estava grávida, o que eu sempre achei estranho, pois nunca havia visto uma foto ou algum registro de que ele realmente existira.

sou fruto estupro a favor aborto 02

Minha infância ficou incompleta porque me faltou a figura paterna, minha mãe era instável emocionalmente, me senti enganada e não consegui assimilar quando ela me contou a minha origem. Me sentia humilhada quando via minhas amigas com seus pais num lar ajustado.

Sentia raiva da minha mãe porque ela me teve sem ter me desejado, embora existisse o respeito por saber que ela nunca deixou nada me faltar e sempre fez o possível para que eu crescesse com dignidade, tivesse uma boa educação e nada me faltasse.

Sempre tive o sentimento de que ela se importava comigo, mas não me amava… E até hoje tenho este sentimento, mas hoje é mais compreensível porque, com o tempo, adquiri maturidade para entender o quanto isso foi danoso e o quanto deve ter sido difícil para ela ter que conviver com o fantasma de um ato bárbaro. É muito difícil lidar com a dor da rejeição, ela nos deixa realmente miseráveis… E mesmo que você tente se agarrar a seu orgulho, esbravejar que está tudo bem e ser indiferente a situação, não tem como: aquilo está ali, é a realidade da sua vida e você precisa aceitar.

Acho que nesse caso é visível que a ignorância gerou tudo isso. Se ela tivesse mais abertura em casa e direito de expressão, mais compreensão da parte dos pais, nada disso teria acontecido.

Não sei se cabe dizer que ela poderia ter escolhido interromper a gravidez, pois acredito que ela nem se quer sabia que isso era possível naquela altura. E também sei que no fundo ela não se arrependeu, porque não fui uma filha ruim e nunca dei trabalho ou fiz algo que pudesse fazer com que ela se arrependesse de eu ter nascido. Pelo contrário, minha chegada na família foi recebida com muito amor, inclusive meu avô aceitou e foi um pai para mim. Quem me criou foram meus avós, minha mãe teve mais um papel de provedora, pois sempre trabalhou muito para garantir que nada me faltasse.
Acho apenas que ela deveria ter se empenhado mais em achar estes bandidos, mas, ao mesmo tempo, acredito que ela estava muito fragilizada naquele momento e não tinha condições de lutar por nada além da nossa sobrevivência. E devo confessar que sou uma pessoa de sorte, pois não tive um pré-natal e nasci muito saudável.

O PROJETO DE LEI DO NASCITURO

Acho esse projeto de lei um grande equívoco. Acredito que as mulheres deveriam ter suporte financeiro e emocional do governo para tomarem a decisão que melhor fosse conveniente a elas, especialmente num caso de estupro, em que deveria ser totalmente amparada e ter o direito de escolha de continuar ou interromper a gravidez. Não se trata apenas de receber uma esmola do governo, vai muito além disso…

A FAVOR DO ABORTO

Por ser fruto de um estupro, me sinto até mesmo no direito moral de ser a favor do aborto. Eu sei o quanto foi horrível e quantas vezes desejei não ter nascido, pois acredito que a vida da minha mãe teria sido muito melhor se isso não tivesse acontecido. Ela teria tido mais tempo para concluir os estudos, fazer coisas que uma jovem da idade dela faria se não tivesse um filho nos braços. Ela não teria passado pela dor da reprovação, pela humilhação que passou e teria muito mais chance de ter formado uma família e ter um lar ajustado. Demorou muitos anos até que ela conseguisse (eu já era adolescente quando ela conheceu uma pessoa, com qual ela já está há 12 anos e tem outra filha). Ela também acabou de se formar em Direito, aos 47 anos de idade. Acho muito mais digno interromper uma gravidez indesejada do que colocar uma criança no mundo para sofrer e passar necessidades.

Eu fiquei extremamente sequelada, e não sinto a menor vontade de ser mãe. Não acredito que poderei ser boa o suficiente. Me sinto extremamente insegura e tenho muita resistência ao assunto. Sempre digo que só terei um filho se algum dia estiver em uma relação estável com alguém que queira muito, que me passe essa segurança.

O QUE PODEMOS FAZER

Eu acho que falta promover a igualdade, no sentido de que nós, mulheres, tenhamos autonomia sobre nossos próprios corpos e que possamos decidir por nós mesmas como ter um filho afetará nossas vidas e a da criança inocente. Sem interferência de religião, a mulher necessita ter esse direito e centros de apoio moral e psicológico. Vamos supor que homens pudessem engravidar, vocês acham que o aborto já não estaria legalizado?

Leis como essa são criadas, pois vivemos num mundo cheio de pessoas ignorantes e incapazes de pensar no dano que um estupro causa à história de uma pessoa.

Devemos promover discussões saudáveis e positivas sobre o assunto em um aspecto geral, derrubar dogmas e aumentar a consciência de um assunto que é importante na vida de muitas pessoas. Trabalhar com comunidades locais oferecendo suporte psicológico, oferecer uma plataforma neutra onde a mulher tenha espaço, sem ser julgada, e analisar realisticamente os prós e contras da gravidez. E que a mulher possa fazer sua própria decisão.

Fonte: Olga

 

 

Vítima estuprada pelo pai vai manter gravidez

Vítima estuprada pelo pai vai manter gravidez

28/08/2012

A adolescente de 14 anos, grávida de quatro meses após sofrer abusos do pai, não vai mais abortar a criança que espera.

Segundo o tio da menina, o soldador Urbano Silva Ataíde, 50, a decisão foi tomada em conjunto pela família após receberem a visita de religiosos um dia antes da data marcada para a realização do procedimento autorizado pela Justiça. “Estava tudo programado para que o aborto fosse na segunda-feira (20), mas antes, no domingo, veio um grupo de pessoas da igreja católica para conversar e mostrar que tirar a vida da criança não seria a melhor atitude e que há outras soluções para esse problema, como a adoção”, conta Urbano. “Até a Elba Ramalho [cantora e católica fervorosa] ligou para a minha sobrinha para conversar pessoalmente e pedir para que ela não fizesse o aborto.”

RELEMBRE O CASO

Polícia investiga estupro a adolescente
-Arcebispo clama para adolescente evitar o aborto

De acordo com uma das tias da menina, que prefere não se identificar, a decisão inicial de abortar foi precipitada e tomada num momento de muito nervosismo.  

Ela conta que durante a visita dos religiosos foi apresentado um vídeo aos familiares, mostrando como é o procedimento de interrupção da gravidez. “Vimos que nesse estágio, após 16 semanas de gestação, há muito sofrimento para o feto. Estávamos vendo apenas o nosso lado e não o da criança que vai nascer e não tem culpa de nada”, conta a tia.

No entanto, acrescenta ela, a decisão do cancelamento do aborto começou a surgir  logo após os exames feitos na adolescente para saber se o bebê apresentava algum tipo de problema de formação. “A saúde da criança está ótima, graças a Deus, pois havia o risco de apresentar alguma anomalia pelo fato do grau de parentesco dos pais, mas vimos que o bebê já está formado e será uma menina”, lembra.

De acordo com Urbano, a intenção da adolescente agora é dar a criança para adoção. “Ela está satisfeita por evitar tirar uma vida e ainda poder fazer outra família feliz”, diz.

Segundo ele, a garota já começou a ter acompanhamento psicológico para enfrentar a gravidez e está sob os cuidados das tias –  a mãe abandonou os filhos há cerca de um ano.

Apelo/ Conforme os familiares da adolescente, entre os integrantes do grupo de católicos que visitou a residência estava o arcebispo metropolitano de Sorocaba, Dom Eduardo Benes  de Sales, que na semana retrasada deu início a uma cruzada religiosa contra o aborto.

No dia 17, após a divulgação da intenção da menor em acabar com a gestação, Dom Eduardo enviou uma nota ao  BOM DIA onde reconhecia a tragédia pessoal da menina, mas se posicionava contra a interrupção da gravidez e conclamava a sociedade  a ajudar a adolescente a criar o filho.

Já no dia 19, o arcebispo ainda ofereceu a missa de encerramento do 29º Cenáculo de Sorocaba em intenção da manutenção da vida. “Ofereço especialmente esta missa para uma criança que está sendo testada no seu quarto mês de gestação”, disse.

Ontem, o  BOM DIA tentou entrar em contato com o arcebispo para saber mais detalhes sobre a intervenção realizada junto a família da adolescente, mas ele não estava na cidade e o diácono responsável por acompanhá-lo nas conversações não tinha autorização para falar em nome da igreja.

Entenda o caso/ No dia 14, o pedreiro Alexandre Vieira, 37, foi preso em flagrante acusado de tentativa de estupro contra uma das três filhas adolescentes. Em depoimento, a vítima, de 14 anos, confirmou que estava grávida do pai e que era abusada desde os 12 anos. A filha mais velha,  17,  também teria sofrido abusos.

De acordo com  Ana Luiza Salomone, delegada da Mulher de Sorocaba, responsável pelo caso, o pedreiro continua preso na Cadeia Pública de Pilar do Sul, onde aguarda julgamento pelos crimes de tentativa de estupro e estupro de vulneráveis.

Fonte: http://www.redebomdia.com.br/noticia/detalhe/31449/Vitima+estuprada+pelo+pai+vai+manter+gravidez

TRAGÉDIA ANUNCIADA

TRAGÉDIA ANUNCIADA

14/01/2016

 Famílias abandonam crianças com microcefalia

e paralisia cerebral 

Em hospital de referência 70% dos pacientes

não recebem visita 

 

“Ai das grávidas, ai das que amamentarem naqueles dias… porque chegará dia em que bem-aventuradas serão as estéreis” (Mateus c.24 v.19). 

Assim o Filho do Homem enunciou quando caminhava em direção ao calvário, respondendo às mulheres de Jerusalém, todavia, referindo-se aos dias atuais… 

“Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim, guardai vossas lágrimas para vossos filhos. Porque eis que virá tempo em que se dirá: ditosas as estéreis e ditosos os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram” (Lucas c.23 v.28 e 29). 

Há dois mil anos, embora INRI CRISTO tenha se referido às mulheres de Jerusalém que choravam por ele, INRI vislumbrara o sombrio porvir da humanidade… 

“Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, pestilências, e terremotos em diversos lugares. Todas essas coisas são o princípio das dores… Então aparecerá o sinal do Filho do Homem… Mas quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o PAI…” (Mateus c.24 v.3 a 44).

O cenário atual tem sido assombrado por aqueles que preferem a vida desprovida de dignidade… 

O zica vírus mencionado na matéria (Vide abaixo) é mais um dos diversos sintomas enunciados por INRI… 

E o que dizer das reações dos parentes dessas crianças? Atos desumanos ou medo de uma realidade cruel imposta pelos governantes? 

Os diretores das instituições de saúde, apavorados, veem o aumento do número de crianças que nascem com microcefalia… Onde abrigar essas crianças? Haverá recursos para mantê-las vivas? 

A evolução de um conjunto de células não deveria ser interrompida nos primeiros meses de gestação, após a comprovação da microcefalia, impedindo a formação de um ser dependente e sem perspectiva de uma vida digna? Vale lembrar o que o Filho do Homem disse: “Se algum membro de teu corpo for motivo para escândalo, arranca-o fora e atira-o para longe de ti” (Mateus c.5 v.29). 

No Brasil, existe uma matilha lutando contra a interrupção da gestação indesejável, enquanto milhares de mulheres morrem todos os anos durante as tentativas caseiras (agulha de tricô, ervas e outros), sendo que na Itália, Espanha, Portugal e etc. já tomaram a sábia decisão de legalizar o procedimento. 

É muito triste saber que a maioria dos “líderes religiosos” (lobos com pele de ovelha – Mateus c.7 v.15) são contra a interrupção da gestação indesejada (aborto) por ambição ao lucro. Mesquinhos, eles apostam no nascimento de crianças desamparadas visando, mormidamente, sensibilizar a elite a fim de esmolar em nome destas crianças, usurpando a maior parte da arrecadação para os próprios interesses, direcionando tão somente uma migalha aos desamparados. Eis a nefasta razão pela qual são contra o aborto. 

Justo seria se, por lei, todos que são contra a interrupção da gestação indesejada (aborto) fossem responsabilizados pela provedoria, sobrevivência e educação dos que nascem sem lar. 

Com grande pesar temos que ver e reportar essa tragédia anunciada…

 

Vide INRI CRISTO elucida a questão do aborto

http://www.inricristo.org.br/index.php/es/ensinamentos/enigmas-teologicos/121-inri-cristo-aborto

 

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Confira a matéria mencionada na mensagem acima:

Famílias abandonam crianças com microcefalia e paralisia cerebral
Em hospital de referência 70% dos pacientes não recebem visita

Por Mariana Sanches 11/01/2016 

Tratamento. Uma profissional atende a uma criança na Cruz Verde: hospital é o único para paralisia cerebral grave – Marcos Alves 

SÃO PAULO — Guilherme* estava de mau humor. Deitado em um berço de metal, seu corpo franzino não revelava os 14 anos de idade. Por trás da máscara de um respirador artificial, apenas seus olhos entristecidos apareciam. Uma pneumonia o impedia, naquela manhã, de circular, distribuindo irônicos apelidos a pacientes, enfermeiras e médicos. Desde os sete meses, ele mora no único hospital do Brasil de atenção exclusiva para pessoas com paralisia cerebral grave: a Associação Cruz Verde, na Zona Sul de São Paulo. Nunca foi pra casa, nunca recebeu visitas de parentes. Foi deixado pela família ainda na maternidade, assim que nasceu e recebeu o diagnóstico de que não viveria mais de quatro anos.

Guilherme é um dos 204 pacientes que moram na Cruz Verde. No prédio arejado e iluminado, de paredes claras e equipe sorridente, crianças, adolescentes e adultos que sofrem com paralisia cerebral e microcefalia graves, recebem diversos tratamentos, como fisioterapia, fonoterapia, hidroterapia e terapia ocupacional. Nenhum deles consegue caminhar, todos usam fraldas, a maioria não pode engolir e se alimenta por sondas, poucos falam. Cerca de 70% foram abandonados pelas famílias e irão viver no hospital até a morte. 

A paralisia cerebral é uma condição na qual o paciente tem uma ou mais partes do cérebro lesionadas, causando a morte de neurônios. Pode ser provocada enquanto a criança ainda se desenvolve dentro do útero da mãe, por doenças contraídas ou pelo uso de drogas. No momento do parto, por falta de oxigênio, ou nos primeiros anos de vida, por paradas cardiorrespiratórias ou acidentes que afetem diretamente a oxigenação do cérebro. 

O estado provoca graves dificuldades motoras, com atrofia e entortamento dos membros, dificuldades respiratórias, epilepsia e algum grau de atraso intelectual. Em alguma medida, todos eles compreendem o mundo ao redor e têm as interações limitadas pelos problemas de fala e de visão que resultam das lesões neurais. A paralisia cerebral pode acontecer associada à microcefalia – situação em que as crianças nascem com cérebros menores ou não o desenvolvem com o passar do tempo – em uma interação ainda pouco explicada pela ciência. O atendimento de cada criança na Cruz Verde é complexo e custa R$ 4 mil por mês. 

— As mães que abandonam as crianças não têm qualquer estrutura econômica, social ou familiar para fazer frente ao desafio de cuidar delas. Além do preconceito, da rejeição, essas mães normalmente já foram abandonadas pelo pai da criança. Algumas são usuárias de drogas, não têm família e já têm muitos filhos — afirma a assistente social do hospital Jéssica Pereira da Silva.

 Atendimento de cada criança na Cruz Verde é complexo e custa R$ 4 mil por mês – Marcos Alves

Ricardo* tinha 10 anos quando a casa onde morava pegou fogo. Ele era o responsável pelos cuidados de três irmãos menores enquanto a mãe trabalhava. Embora tenha sido o primeiro a sair da casa em chamas, ele acabou voltando para tentar salvar os familiares. Depois de resgatar os irmãos e de inalar uma grande quantidade de fumaça, sofreu uma parada cardiorrespiratória que lhe causou paralisia cerebral grave. Ainda no hospital, Ricardo foi abandonado pela família que salvou. Ocupa há oito anos um dos berços de uma ala da Cruz Verde. Não fala, nem anda. Mas segue o interlocutor com o olhar. Nunca recebeu visita ou foi procurado. 

Aos 12 anos, Luana*, que nasceu com paralisia cerebral, pesava apenas 12 quilos quando chegou ao hospital, em extrema desnutrição, depois de ser retirada da família por maus-tratos. Ela depende de uma traqueostomia e um respirador para se manter viva. Júlia*, uma simpática menina de dois anos que distribui sorrisos quando alguém chega perto de seu leito, nasceu de uma mulher que teve sucessivas crises de epilepsia durante a gestação, e teve o cérebro lesionado. A mãe a deixou, visita raramente. 

— Quando a mãe vem, ela diz: “isso eu não quero na minha casa”. As pessoas não querem cuidar, mal querem olhar, há muito preconceito. Temo que o aumento de casos de microcefalia provoque um surto de abandonos — afirma a neuropediatra, especialista em paralisia cerebral, Adriana Ávila de Espíndola. 

A dor da rejeição Fernanda Silva Costa, de 38 anos, conheceu dentro de casa. Ela é mãe de Artur, de 3 anos, que nasceu com microcefalia e paralisia cerebral. A criança não enxerga, não fala, não anda, não consegue se sentar sozinha, não engole nenhuma comida que não seja pastosa. Ela e o marido se desdobram nos cuidados com o pequeno, que incluem uma agenda médica extensa. Mas a mãe de Fernanda, avó de Artur, se recusa a chegar perto da criança. 

— Ela não o pega no colo, arruma desculpas para não acompanhar no médico, parece que sente nojo dele. Isso machuca muito. Agora estamos tentando matriculá-lo em alguma escola, mas nenhuma delas aceita, dizem que não têm condições. Os pais não deixam suas crianças chegarem perto do Artur. Não querem deixá-lo entrar na sociedade — conta Fernanda, que leva o filho para tratamento na Cruz Verde. 

Além do preconceito, as mães enfrentam a falta de terapias e opções médicas no sistema público de saúde para tratar suas crianças. Pacientes com paralisia cerebral precisam de estimulação contínua para uma maior qualidade de vida. Com custo de R$ 15 milhões anuais, a Cruz Verde se equilibra entre a escassez de verba pública – o SUS custeia 50% das despesas – e a necessidade de doações de mais de 50 empresas para seguir funcionando. Os administradores se assombram diante da possibilidade de que a demanda por seus cuidados aumente diante do nascimento em massa de bebês com microcefalia, resultante da infecção por zika vírus. A superintendente do hospital Marilena Pacios resume a aflição: 

— O que faremos agora diante de uma parcela dessa geração nascendo quase sem cérebro? Isso é uma tragédia. 

*Nomes fictícios 

Fonte: http://oglobo.globo.com/brasil/familias-abandonam-criancas-com-microcefalia-paralisia-cerebral-18447204#ixzz3xG5Y0LCr

Sistema de saúde francês oferecerá anticoncepcionais e abortos gratuitos para adolescentes

Sistema de saúde francês oferecerá anticoncepcionais e abortos gratuitos para adolescentes

31/10/2012

As mulheres francesas terão agora maior acesso a abortos e métodos contraceptivos. A Assembleia Nacional francesa aprovou nesta sexta-feira (26) o reembolso integral das despesas com o aborto voluntário pelo sistema público de saúde. Também foi aprovada a distribuição gratuita de anticoncepcionais para jovens de 15 a 18 anos.

• Fazer abortos pode ser uma escolha moral, sugerem médicos

Até agora, o sistema de saúde francês pagava o aborto integral apenas para menores e pobres, enquanto as outras mulheres podiam ser reembolsadas com até 80% do custo do procedimento, que pode custar mais de US$ 580 (mais de R$ 1.500). Já a contracepção era parcialmente reembolsada.

Com a mudança para o reembolso total, a França espera reduzir o número de gravidezes indesejadas e abortos feitos de modo inseguro. Em 2010, cerca de 225.000 abortos foram realizados no país. O aborto foi descriminalizado na França em 1975. [New York Times/France 24]

Fonte:

http://hypescience.com/sistema-de-saude-frances-oferecera-anticoncepcionais-e-abortos-gratuitos-para-adolescentes/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29

ONU critica legislação brasileira e cobra país por mortes em abortos de risco

ONU critica legislação brasileira e cobra país por mortes em abortos de risco

01/07/2012

SIMBOLO DA ONU
 
Entidade destacou o fato de 200 mil mulheres morrerem em cirurgias clandestinas anualmente

17 de fevereiro de 2012 | 19h 24 

Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo
 
GENEBRA – O governo de Dilma Rousseff foi colocado nesta sexta-feira, 17, contra a parede pelos peritos da ONU, que acusam o Executivo de falta de ação sobre a morte de 200 mil mulheres por ano por conta de abortos inseguros e pedem que o País supere suas diferenças políticas e de opinião para salvar essas vítimas.
 
A entidade realizou seu exame sobre a situação das mulheres no Brasil e não poupou críticas ao governo. “O que é que vocês vão fazer com esse problema político enorme que tem?”, cobrou durante a plenária a perita suíça Patricia Schulz.
 
Para os especialistas da ONU, a criminalização do aborto está ligada à alta taxa de mortes por ano.
 
Pressionada domesticamente pela CNBB e parte do Congresso, a ministra da Secretaria de Políticas para a Mulher, Eleonora Menicucci, em suas cinco horas de debates em Genebra, não concedeu mais de dois minutos para tratar do assunto. Um dia antes da reunião, a nova ministra disse que não abria mão de suas convicções pessoais em relação ao aborto. Mas garantiu que apresentaria à ONU as “diretrizes do governo”.
 
Nesta sexta-feira, ao ser pressionada pelos peritos, limitou-se a dizer que o tema não era do Palácio do Planalto. “Essa é uma questão que não diz respeito ao Executivo, mas sim ao Congresso. Há um projeto de lei em tramitação e sabemos da responsabilidade de prevenir mortes femininas e maternas “, se limitou a dizer. No início de março, a entidade publicará suas recomendações ao Brasil, a partir do que escutou.
 
A ministra admitiu que o aborto estava entre as cinco principais causas de mortes de mulheres no Brasil, enquanto uma representante do Ministério da Saúde indicou que existem em funcionamento 60 serviços credenciados para realizar abortos dentro da lei e que essa rede será ampliada.
 
A resposta não convenceu os especialistas, que apontam que a divisão na sociedade brasileira sobre como tratar do aborto não pode ser motivo para permitir que as mortes continuem ocorrendo.
 
Os peritos da ONU insistem que não são a favor ou contra o aborto. Mas alertam que, seja qual for a lei em vigor no Brasil, a realidade é que milhares de mulheres estão morrendo a cada ano por conta dessas práticas e o estado precisa fazer algo. “As mulheres vão abortar. Essa é a realidade”, disse Magaly Arocha, uma das peritas. “O comitê da ONU não pode defender o aborto. Mas queremos que o estado garanta que mulheres possam velar por suas vidas”, disse.
 
A tentativa de Eleonora de jogar a responsabilidade para o Congresso não foi bem recebida. “Perdão. Mas não estou entendendo. Não está claro para mim qual a posição do governo. Não está claro se o Executivo e o Congresso vão na mesma direção. O que queremos saber é a posição do estado brasileiro, que é quem está sendo avaliado “, cobrou Arocha.
 
Schulz foi ainda mais enfática. Ela lembrou que, em 2007, a ONU já cobrou do Brasil que a criminalização do aborto fosse revisada pelo governo. “Mas lamentavelmente não vimos progressos e os esforços fracassaram”, declarou. “Essa é uma questão muito preocupante. São 200 mil mortes por ano e essa alta taxa tem uma relação direta com a criminalização do aborto”, disse.
 
“O código penal brasileiro é muito restritivo e, mesmo em casos legais, médicos temem conduzir os procedimentos”, afirmou, acusando a polícia de também mal-tratar vítimas de abusos sexuais, Schulz, uma das especialistas europeias de maior renome no campo dos direitos das mulheres, também destacou que, apesar de haver a possibilidade de abortos legais no Brasil por risco de vida da mãe e por estupro, o número de casos registrado chega a apenas 3 mil por ano. “Enquanto isso, existem 1 milhão de casos ilegais e 250 mil mulheres sendo internada por complicações”, alertou. “O que é que o governo está fazendo para humanizar essa situação ?”, cobrou, lembrando que a camada mais pobre das mulheres é a que mais sofre. “A classe média e rica sempre vai encontrar boas soluções”, disse.
 
Projeto. Outra critica levantada pela ONU foi em relação ao Estatuto do Nascituro, que tramita na Câmara. “Uma mulher não pode ser apenas o barco onde o feto cresce”, disse Shulz. “Não se pode dar total prioridade ao bebê e deixar de lado a saúde da mulher”, declarou.
 
“Se o Congresso aprovar isso, lamentavelmente estaremos fazendo um tremendo retrocesso nos direitos reprodutivos”, declarou Arocha.
 
Mais uma vez, Eleonora optou por uma resposta vaga. “O projeto do Estatuto não saiu da secretaria. Saiu do Parlamento”, disse, passando a palavra para a representante do Ministério da Saúde. Para o órgão, o governo já deu sete pareceres contra o projeto de lei. Mas admite que ainda assim o Estatuto tramita no Congresso.
 

O que acontece com a vida das mulheres que tiveram um aborto negado? Este é o primeiro estudo científico a fornecer respostas

O que acontece com a vida das mulheres que tiveram um aborto negado? Este é o primeiro estudo científico a fornecer respostas

29/11/2012

Aborto é um procedimento médico amplamente discutido e pouco estudado. Existem alguns estudos de validade duvidosa que conectam aborto a doenças mentais e uso de drogas. Os políticos têm usado esses estudos para justificar maiores limitações para mulheres que pensam em fazer aborto nos Estados Unidos e no Brasil a questão também é polêmica. Não havia esforço algum para estudar o que acontece com as mulheres que querem abortar, mas não podem devido às regras restritivas. Pelo menos até agora. Um novo estudo longitudinal revela o que acontece com a sua posição econômica, saúde e relacionamento depois de tentar fazer um aborto e ele ser negado. 

Pesquisadores de saúde pública junto com o grupo Advancing New Standards in Public Health (ANSIRH) da Universidade de São Francisco usaram dados de 956 mulheres que procuraram uma das 30 clínicas de aborto dos Estados Unidos que fizeram parte do estudo. 182 dessas mulheres tiveram o aborto negado.

Os pesquisadores, liderados por Diana Foster Greene, procuraram essas mulheres e fizeram intensas entrevistas com elas. Algumas conseguiram abortar com facilidade, algumas precisaram lutar para consegui-los, e outras tiveram o aborto negado porque a gestação havia passado alguns dias além do limite aceito pelas clínicas locais. Há duas semanas o grupo de pesquisa apresentou o que elas aprenderam, depois de quatro dos cinco anos planejados para o seu estudo, na conferência da Associação de Saúde Pública Americana em São Francisco.

Eis aqui um resumo do que eles descobriram, retirado de um post que eles fizeram na página do Facebook da pesquisa:

Nós descobrimos que não há consequências na saúde mental de uma mulher que fez o aborto comparadas àquelas que mantiveram uma gravidez indesejada até o fim. Existem outras descobertas interessantes: mesmo um aborto tardio é mais seguro do que dar à luz. Além disso, mulheres que aguentaram até o fim da gravidez indesejada são três vezes mais propensas a estarem abaixo da linha da pobreza dois anos depois, quando comparadas as que fizeram um aborto.

Abaixo, você encontrará a versão mais longa e complexa da história. Eu conversei com Greene sobre as descobertas preliminares do grupo.

Pobreza

As mulheres no estudo estavam em posições econômicas comparáveis entre si no momento que procuraram as clínicas de aborto. No grupo que teve o aborto negado, 45% estavam recebendo ajuda do governo e dois terços tinham renda inferior à linha de pobreza dos Estados Unidos. Um dos maiores motivos que as mulheres citam para fazer aborto é a falta de dinheiro e, baseado na renda das que foram rejeitadas, parece que elas estão certas.

Entre a maioria das mulheres que tiveram abortos rejeitados, 86% estavam vivendo com seus bebês um ano depois. Apenas 11% tinham colocado os bebês para adoção. Também um ano depois, elas estavam muito mais propensas a depender de ajuda do governo – 76% das que tiveram o aborto rejeitado estavam recebendo uma espécie de seguro desemprego, enquanto só 44% das que conseguiram abortar estavam na mesma situação. 67% do grupo das que tiveram o aborto negado estavam abaixo da linha da pobreza (contra 56% das mulheres que fizeram abortos) e apenas 48% tinham um emprego de período integral (contra 58% das mulheres que fizeram abortos).

Quando uma mulher não pode receber o aborto que deseja, ela tem maior probabilidade de acabar desempregada, dependendo de ajuda do governo e abaixo da linha da pobreza. Outra conclusão que podemos chegar é que negar aborto às mulheres coloca um fardo maior para o estado porque estas novas mães aumentam a dependência em programas de assistência pública.

Violência e uso de drogas

No estudo, os pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas no uso de drogas comparando as mulheres que fizeram o aborto e as que não fizeram. Aparentemente não há uma correlação entre aborto e o aumento no uso de drogas. Um dado interessante que elas encontraram foi o que mostrou que usuárias de drogas que não conseguiram fazer abortos eram mais propensas a doar seus filhos para adoção.

Infelizmente, quando se trata de violência doméstica, ter um aborto negado faz uma grande diferença. Mulheres que tiveram o aborto negado eram mais propensas a ficar em um relacionamento com um parceiro abusivo do que mulheres que fizeram abortos. Um ano depois de ter o aborto negado, 7% relataram um caso de violência doméstica nos últimos seis meses. 3% das mulheres que abortaram relataram violência doméstica no mesmo período. Green enfatizou que o motivo das mulheres se envolverem em relacionamentos abusivos não era ter o aborto rejeitado. O aborto simplesmente permitiria que as mulheres saíssem desse tipo de relacionamento com mais facilidade. Então é provável que esses números realmente reflitam uma queda na violência doméstica para mulheres que abortam, no lugar de um aumento entre as que não conseguiram abortar.

Este padrão de violência também é parte de um padrão de comportamento mais amplo, que mostra que mulheres que têm abortos negados são mais propensas a permanecer em um relacionamento com os pais de seus filhos. Obviamente, isso não é sempre algo bom, como as estatísticas de violência mostram. Mas mesmo na vasta maioria dos casos onde não há violência envolvida, Greene notou que estes homens não estavam morando com as mães de seus filhos.

Os pesquisadores perguntaram às mulheres sobre morar com seus parceiros e descobriram que os homens não estariam mais propensos a morar com uma mulher que deu a luz à seu filho, do que eles estariam a morar com uma mulher que fez um aborto. “O cara não continua por perto só porque você teve o bebê – essa é a maneira mais simples de dizer isso,” Green disse.

Emoções

Uma das maiores preocupações sobre o aborto é que ele causaria problemas emocionais que levariam à depressão clínica. O estudo abordou a questão sob dois pontos de vista: como as mulheres que fizeram abortos e as que não fizeram se sentiam; e se elas desenvolveram depressão clínica. “É importante lembrar que como você se sente é uma questão separada da questão ‘você tem ou não um problema de saúde mental’”, Greene disse. Nós iremos entrar na questão das emoções aqui, e discutir a saúde mental na próxima seção.

Os pesquisadores disseram no encontro da Associação de Saúde Pública Americana que “uma semana depois do aborto, 97% das mulheres que conseguiram abortar sentiram que o aborto foi a decisão certa; 65% das que tiveram o aborto recusado ainda desejavam ter conseguido abortar”. Também uma semana depois do aborto negado, estas mulheres tinham maior sensação de ansiedade do que as mulheres que tinham abortado. As mulheres que fizeram abortos, em sua maioria (90%), disseram se sentir aliviadas, apesar de algumas também se sentirem tristes e culpadas depois. Todavia, esses sentimentos naturalmente desapareceram em ambos os grupos. Um ano depois, não havia diferença na ansiedade ou depressão entre os grupos.

Em outras palavras, o estudo não encontrou indícios que havia emoções negativas prejudiciais e duradouras associadas em fazer um aborto. A única diferença emocional entre os dois grupos um ano depois foi que as mulheres que tiveram o aborto negado estavam mais estressadas. Elas estavam mais propensas a dizer que sentiam como se tivessem mais coisas para fazer do que realmente conseguiam.

Nada disso resultava em depressão clínica. “Aborto e depressão não parecem diretamente ligados”, disse Greene. “Apesar disso, nós iremos continuar a acompanhar essas mulheres por cinco anos. Então podemos encontrar algo mais para frente”.

Saúde física e mental

O estudo examinou a questão da saúde mental das mulheres a partir de vários pontos de vista e não encontrou evidências de que o aborto poderia ser ligado ao aumento de distúrbios mentais. Eles descobriram que o grupo de mulheres que teve o aborto negado tinha mais riscos de saúde ao dar à luz. Mesmo abortos em estágios avançados da gravidez eram mais seguros que dar à luz. Os pesquisadores disseram no encontro da APHA:

Nós descobrimos que complicações na saúde física são mais comuns e graves depois do parto (38% passaram por limitações nas atividades, por 10 dias em média) comparadas com o aborto (24% tiveram limitações nas atividades, por 2.7 dias em média). Não houve nenhuma complicação grave após o aborto; já as complicações pós-parto incluíram convulsões, fratura na pélvis, infecção e hemorragia. Nós não encontramos diferenças  em condições crônicas de saúde depois de uma semana ou um ano depois do aborto.

Se você olhar para todos esses dados juntos, surge uma nova visão do aborto e como os governos querem lidar com isso. Para economizar dinheiro em projetos de assistência pública, deve-se facilitar o acesso ao aborto. Além disso, existem evidências fortes de que facilitar o aborto irá permitir que as mulheres fiquem mais saudáveis e com situação financeira melhor. Ao negar aborto às mulheres, nós arriscamos manter tanto as mulheres quanto seus filhos em situação de pobreza – e, possivelmente, no caminho da violência doméstica.

Leia mais sobre esses estudos no resumo da American Public Health Association aqui e aqui.

Este estudo foi custeado totalmente através de doações. Se você quiser apoiar mais pesquisas sobre a vida de mulheres que tiveram o aborto negado ao redor do mundo, por favor considere doar para o Global Turnaway Study no Indie GoGo.

Fonte:

http://jezebel.uol.com.br/o-que-acontece-com-a-vida-das-mulheres-que-tiveram-um-aborto-negado/

O aborto e as 10 falácias do mundo conservador

O aborto e as 10 falácias do mundo conservador

22/09/2012

Comissão de Saúde do Senado do Chile aprovou, no dia 6 de setembro de 2011, o projeto de lei que descriminaliza o aborto terapêutico. O Senado chileno posterga desde então sua votação. O Chile permitiu o aborto terapêutico entre 1931 e 1989, quando o ditador Augusto Pinochet (1973-1990) o proibiu totalmente. A interrupção voluntária da gravidez se mantém 19 anos depois da restauração da democracia como um crime punido com três a cinco anos de prisão para a mulher. Junto com o Chile, somente alguns países como Andorra, El Salvador, Filipinas, Malta e Nicarágua penalizam o aborto sem nenhum tipo de exceção.

A Organização Mundial da Saúde, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a Corte Européia de Direitos Humanos, a Anistia Internacional, o Comitê da ONU contra a Tortura, entre outros, declararam unanimemente que a criminalização do aborto quando há risco de vida para a mãe ou quando a gravidez é consequência de um estupro, constitui ato de tortura que viola os direitos humanos básicos das mulheres.
Tradução do texto “El aborto y las 10 falacias del mundo conservador” por Karen Espíndola. Publicado no site El Mostrador em 07 de setembro de 2011.
Com 12 semanas de gestação, Karen recebeu o diagnóstico de que o feto que carregava em seu ventre tinha uma grave anomalia cerebral. Seu filho Osvaldo e ela viveram um calvário. O menino morreu recentemente, mas Karen levou sua experiência como um exemplo para lutar pelo direito ao aborto terapêutico (em que a vida da gestante está em risco) e por razões médicas.
Meu filho morreu no último dia 25 de julho, como consequência de uma má formação cerebral grave chamada Holoprosencefalia. Permaneceu conosco por quase dois anos e meio de muito sofrimento para si e para toda a família. Também vivi momentos preciosos e inesquecíveis, e esta perda ainda dói no mais profundo de meu coração. Eu o protegi e amei com toda a disposição de meu ser, mas ele se foi…
Durante todo este tempo, expliquei minha situação e pontos de vista sobre a necessidade de legalizar o aborto em casos similares, porque vivendo pessoalmente esta realidade, foi-me possível medir a dor que significa viver uma situação tão íntima quanto trágica. Ainda dói.
Expliquei meu caso para que de uma vez por todas reajamos como sociedade e comecemos a nos respeitar em nossos credos e convicções pessoais. Paralelamente (porque não há qualquer contradição), lutava por meu filho e por todas as crianças que lamentavelmente sofrem (ou virão a sofrer) a indiferença de uma sociedade esquizofrênica: aquela que no discurso se proclama como “defensora inflexível” do valor da vida, mas que depois de nove meses, esquece por completo a mulher e a criança nascida.
Como exemplo: o atual Ministro da Saúde, Jaime Mañalich Muxi – que não assistiu a nenhuma sessão da comissão de saúde do Senado que está debatendo o tema, e que comparou minha opinião ao regime nazista – não responde a dois ofícios enviados através da Comissão em Defesa do Cidadão, com pedidos de ajuda para as crianças e suas famílias que estão vivenciando uma situação parecida com a minha. Na verdade, todos os auxílios que recebi, econômicos e emocionais, vieram de grupos que apoiaram minha luta (com poucas exceções, como a do Senador Francisco Chahuán).
Deixo meu carinho e infinitos agradecimentos a todos aqueles que foram parte de minha vida e da de meu filho durante este período. Se existe o céu, ele será conquistado com ações, não com discursos.
Este ano, pela primeira vez desde o retorno da democracia, nosso poder legislativo ousou debater projetos de lei que convidam nossas instituições a legalizarem o aborto em dadas situações, o que significa um grande avanço, considerando que, até agora, todos os projetos de lei sobre o tema foram imediatamente arquivados.
E muitas coisas, as quais não sou indiferente, foram ditas. Muitos mitos e lugares comuns falsos me animam a escrever novamente. Referir-me-ei exclusivamente à causa de descriminalização do aborto que tenho defendido, embora alguns destes mitos possam ser aplicáveis a toda a discussão. Tomarei dez lugares comuns que confundem a opinião pública, muitos dos quais refletem uma indiferença profunda acerca da tragédia que significa ser confrontado por uma situação tão dolorosa quanto a descrita por mim.
   Graffiti no centro de Concepcíon, Chile. Foto de Carlos Latuff.
1ª Falácia: “Eu sou pró-vida; você é uma abortista e assassina”
Disse antes, mas acredito que uma parte de nossa sociedade parece não entender – e os meios de comunicação contribuem com seu grão de areia – que os partidários de descriminalizar a interrupção da gravidez (por qualquer motivo) não são contrários à vida; como os autodenominados setores “pró-vida” tentam fazer com que a opinião pública acredite.
Na verdade, marcar como assassinos àqueles que acreditam que o Estado deve respeitar a opção (reitero: a opção, não a imposição) de cada mulher que se vê diante de uma gravidez, que coloca em risco sua saúde e implica em sofrimento injustificado (mais adiante explicarei o porque), é uma falácia que não busca argumentar, mas atacar, desqualificar o adversário e encerrar o debate necessário. E se trata de uma falácia porque quem defende a opção da mulher, não o faz por desprezo da vida, mas (muito pelo contrário) o fazemos porque consideramos que permitir a opção no cenário descrito é uma alternativa profundamente mais humana e participativa, uma vez que não é indiferente em à vida do que está para nascer nem à da mãe; e também, porque é a única alternativa que respeita a liberdade de consciência que todo Estado Laico (não religioso) deve respeitar e promover.
2ª Falácia: “A prática do aborto é um ato moralmente condenável”
Não restam dúvidas de que diante de situações extremas, como as que dividi com vocês, a decisão de continuar ou interromper uma gravidez é profundamente complexa. Em momentos como esses, passam milhões de coisas em nossa cabeça (por ex. por que comigo?, que mal fiz eu?, qual será a melhor decisão para mim e minha família?). E quando você recebe a notícia de que sua gravidez não é viável, que seu filho não sobreviverá ao parto ou que ele terá uma vida curta, dolorosa e sem capacidade de desenvolvimento como qualquer pessoa autônoma, o mundo cai.
Nesse cenário, a moralidade da decisão de continuar ou interromper uma gravidez representa uma situação que dependerá em última instância de nossas profundas convicções e/ou crenças religiosas e, nesse aspecto, o Estado não se encontra capacitado para demandar determinado comportamento. Na verdade, impor que a mulher viva contra sua vontade uma experiência tão angustiante como a que senti na pele (meu filho, eu e minha família) representa sem qualquer dúvida uma espécie de tortura, que busca transformar a mulher – a força – em mártir (Martírio: dor ou sofrimento, físico ou moral, de grande intensidade), atitude esta impensável a todo Estado que respeito pelos direitos humanos de forma plena e harmônica.
Contudo, o Estado não pode nem deve impor um moral sobre outro, mas deve deixar que cada qual adote, autonomamente, sua decisão (difícil, seja ela qual for). Desse modo e como o Estado deve ser neutro nestes casos, tão íntimos quanto trágicos, só podemos rejeitar outra falácia: “quando um Estado promulga uma lei que permite o aborto, o que, na verdade se faz não é só permitir o aborto mas também patrociná-lo”. Acredito que não precisamos nos aprofundar neste assunto dada a grosseria do argumento.
Finalmente, como para alguns o aborto representa legitimamente um mal (de acordo com suas crenças), argumenta-se que toda mulher que pratica um aborto, mais cedo ou mais tarde, arrepender-se-á, sentirá que fez algo horrendo e em suma, sua dor será um peso que não poderão jamais superar. O padre Francisco Javier Astaburuaga Ossa declara que a mulher sofrerá a “Síndrome Pós-Aborto, que acompanhará esta mãe por toda a vida”.
A falácia aqui está evidente porque assume que todo o mundo acredita que a interrupção da gestação é um ato condenável em si mesmo (em termos morais), independentemente das circunstâncias – aquela parte do assunto que os contrários a todo tipo de aborto esquecem – e, principalmente, das crenças de cada um. Somado a isso, a criminalização do aborto sob qualquer circunstância – como só acontece em El Salvador, Nicarágua, Malta, Vaticano e Chile – gera em quem escolhe abortar clandestinamente, desafiando à instituição (algo mais comum do que se crê e divulga) um sentimento óbvio de culpa, mas este não necessariamente desencadeado por conta da moralidade (algo que deve ser assumido individualmente), mas sim por exercer na clandestinidade um ato penalizado por nosso sistema jurídico.
3ª Falácia: “A vida é sagrada”
A este respeito, simplesmente me permito trazer as palavras de Carlos Peña: “a vida humana é um valor que interessa a todos nós”, mas esse valor que se concede à vida é algo “prima facie”. No entanto, invocar o valor da vida sob qualquer circunstância, “não é um argumento conclusivo. Outras razões são necessárias”. Pois bem, estas razões adicionais que podem justificar (com argumentos laicos) o atual estado das coisas, não são ouvidas em parte alguma.
Muitos argumentam que a santidade da vida é uma premissa à qual todos devemos aderir, à revelia de qualquer contexto. Nas palavras do arcebispo de Concepción, Fernando Chomalí, se nos cabe viver uma experiência como a que descrevi a vocês “tem de abaixar a cabeça diante dos desígnios da vida”, frase que só é possível interpretar como “os desígnios de um ser ou força superior”.
E sobre estes “desígnios”, já assinalei que um Estado laico não pode nem deve legislar em benefício de um grupo de pessoas que seguem uma determinada crença religiosa (o que ataca, dentre outras coisas, os direitos à igualdade diante da lei e à liberdade de consciência), portanto não me debruçarei muito sobre isso.
Muitos me disseram: “Foi o que lhe coube, que pena… você é tão jovem”. Eu, de minha parte, continuo pensando que a mulher deveria ter o direito de decidir em um momento de tamanha significância para sua vida.
A estas alturas, muitos estarão pensando que me esqueci do respeito que merece a vida daquele que está por nascer e que, portanto, não disponibilizei os argumentos que justifiquem sacrificar o valor dessa vida em potencial, mas que, pelo contrário, só me esforcei no doloroso processo que vivem as mulheres que enfrentam situações como a minha.
Nas falácias seguintes (4 e 5), aprofundar-me-ei nestes argumentos.
4ª Falácia: “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” (Mateus 5.5)
Talvez esta seja a essência de toda a discussão. O sofrimento humano implica em um caminho misterioso. A algumas pessoas, as situações dolorosas as podem paralisar, gerar ressentimento, depressões irreversíveis e um amplo etcétera. Para outras pessoas, ao contrário, o sofrimento sempre é uma oportunidade de crescer, amadurecer e ver a vida sob outro prisma, ao que corresponde não evitá-lo, até mesmo considerá-lo desejável. Em geral, nós, pessoas, buscamos a felicidade e evitamos sofrer (algo mais humano deste mundo), ainda que reconheçamos que o sofrimento possa nos fazer crescer.
Em resumo, ambas as opiniões não deixam de ter razão (em maior ou menor medida, a depender das vivências e crenças individuais). Mas a pergunta é outra: O Estado pode me obrigar a viver uma realidade tão intensamente dolorosa (a magnitude do que estou tratando é algo que talvez não se possa explicar por meio de palavras), se eu assim não desejar?, O Estado tem autoridade para me dizer que nesta situação altamente trágica, só devo enfrentar a dor de uma determinada forma: continuar a gestação, ainda que seja contra minha vontade?
Para Patrícia Gonelle, membro de um grupo autodenominado pró-vida, “com o sofrimento a pessoa pode crescer, dar um giro em sua vida para algo que nos traga sentido (…)”. Para o doutor Jorge Neira (PUC) – que deu sua opinião mais política do que médica sobre o assunto – “continuar com essas gestações, e não abortar, permite aos pais alcançar a paz (…) Aqui é fundamental a parceria, mas parceria-parceria, de corpo, alma e espírito, daquelas que se chamam pela noite e se preparam para dar sentido ao sofrimento. Assim, tranqüilizam-se e alcançam a paz”.
Como você pode ver, estas opiniões refletem apenas uma crença: aquela que enxerga somente virtudes no sofrimento; algo desejável a que não temos como escapar (são os desígnios da vida, conforme dito acima). Como venho insistindo, esta opinião é plenamente respeitável, mas em caso algum pode ser obrigatória para quem não enxerga tantas virtudes no sofrimento humano, ou até o enxerga como benéfico, mas não de forma tão extrema e absoluta. Acreditamos que em situações como estas, o ideal é que cada um analise a situação por seu próprio mérito e adote uma decisão livre e informada.
Mas isso não é tudo. Ao sofrimento da mulher (e por extensão de toda a família) deve-se agregar uma nova variável; que nos casos de inviabilidade ou má formações cerebrais graves, o ser em gestação não poderá exercer participação como agente moral. Assim, o filho em potencial que, a princípio, merece nossa proteção (porque, também no início, assim interpretamos seu interesse de viver) não tem a capacidade de tomar decisões morais – como consequência de sua irremediável má formação – já que não terá, em sua dolorosa e limitada vida, interesses próprios para desempenhar com autonomia seu próprio projeto de vida (que é o argumento usado por quem se opõe ao aborto em qualquer circunstância).
Sobre esse tema, muito clara se torna a visão que tem sobre essa questão um profundo detrator de toda forma de abortos, José Joaquin Ugarte Godoy – professor da Universidad Católica de Chile – segundo ele: “quando o indivíduo vivente tem natureza racional, porque traz ideias que remetem não à aparência sensível, mas sim à essência e ao ser das coisas, quer dizer, tem intelecto – que sempre vá acompanhado da faculdade de querer livremente o bem ou vontade – chama-se pessoa (…) Esta alma intelectual permite que a pessoa se conheça e se domine a si mesma – porque as coisas são dominadas pelo conhecimento – e ser dona de seus atos, tendo assim uma subjetividade, uma interioridade, certo ser para si mesmo; e porque pode a pessoa dominar a si mesma, pode possuir bens externos ao seu corpo, pode ser sujeito de seus direitos. A natureza racional desenha, assim, uma fronteira intransponível entre o homem, senhor de seus direitos, e as coisas, objetos do direito para o uso do homem”. Acredito que, sobre esse ponto, excedem palavras.
Pois bem, que o ser em gestação não possa exercer função como agente moral autônomo, implica que o sofrimento que experimente não terá sentido algum para si mesmo e, portanto, o único fator que pode fundamentar uma decisão a esse respeito são nossas crenças e convicções mais íntimas.
Então, a dor é dupla. Pessoalmente não tenho palavras para explicar a dor que significa ver um filho sofrer em vão e sem poder fazer nada para remediá-lo. Pensem por um segundo na preocupação que implica qualquer acidente ou enfermidade de um filho e compreendam que estes pensamentos invadiram meus pensamentos e ficaram dando voltas em minha mente todos os dias, desde que recebi o diagnóstico de meu filho. Haverá dor maior do que esta? Dão-se conta da grandeza do que estou dizendo? Por que, então, não conceder a possibilidade de evitar tanta dor humana que é infantil diante de quem alguns dizem querer defender?
5ª Falácia: “O propósito é fazer uma seleção racial em busca da perfeição humana e representa um desprezo a todos nós, incapacitados”
Além da falácia anterior, é necessário fazer um adendo: a situação que me tocou vivenciar e que é a que estou defendendo nestas linhas não se referem a qualquer tipo de incapacidade. Como tentei explicar, trata-se de gestações em que aquele que está por nascer é inviável em sua vida fora do útero ou terá uma vida curta, dolorosa e incapaz de se desenvolver como qualquer pessoa autônoma. Sua má formação o impedirá de atuar como agente moral.
Pois bem, neste debate, a falácia mais usada nestas situações dizem que não se trata de um aborto terapêutico, mas sim de um aborto eugênico, o que permite dizer que o que se busca, na verdade, é uma seleção racial ao estilo nazista. De fato, o conceito originário da eugenia se relaciona com uma busca a fim de melhorar traços hereditários humanos.
Deste modo, se para algumas pessoas é discutível que se fale sobre aborto terapêutico em casos de inviabilidade ou má formação grave do cérebro, também é discutível que se fale claramente sobre aborto eugênico, porque com isso só se confunde a opinião púbica.
Como já deixei claro, não há relação entre minha luta e a vida de crianças com Síndrome de Down ou determinada incapacidade física, ou questões raciais – como a cor da pele – para citar alguns exemplos. A discussão deve ser sincera. Sem lugar para falácias como estas, que só buscam angariar simpatia perante o equívoco.
6ª Falácia: “Abrir a porta para a legalização do aborto por questões de saúde implica um caminho sem volta”
A este lugar comum, podemos descrevê-lo da seguinte forma: “Se legalizarmos o aborto por uma ou mais razões, imponderavelmente veremos que, com o tempo, permitiremos a interrupção da gravidez a todo instante”. Esta falácia é conhecida como “ladeira escorregadia” e sugere que uma ação iniciará uma cadeia de eventos que culminarão em um evento posterior indesejável.
Isso é apenas uma campanha do terror que não oferece qualquer argumento sobre o tema em pauta.
No entanto, é conveniente deixar claro que se se decide legalizar a interrupção da gravidez em determinadas situações, é necessário que a norma jurídica seja precisa quanto ao seu alcance (medida legislativa) e sua aplicação, pois esta é a única opção que assegura transparência e coerência entre os argumentos que justificam uma lei e os fatos que justificam a implementação. Devemos ser honestos, sem trapaças ou acobertamentos.
7ª Falácia: “Os diagnósticos médicos podem falhar”
Também aqui há uma falácia porque o conhecimento científico existente nos permite obter informações para tomar decisões baseadas na tecnologia e nos conhecimentos disponíveis. Atualmente, a ciência é capaz de diagnosticar a presença de fetos inviáveis ou com má formação cerebral grave desde muito cedo.
No entanto, quando se discutem temas relacionados com a inviabilidade fetal ou má formação cerebral grave, aos médicos sempre se faz uma pergunta equivocada: O ser em gestação (sobre)viverá por horas, dias, semanas?
Pode ser que um bebê com diagnóstico de anencefalia ou holoprosencefalia (sobre)viva além do prazo estimado – por isso os médicos devem ser muito cautelosos, objetivos e realistas na informação que fornecem aos pais – mas a pergunta que devemos fazer aos médicos é outra: Poderá o ser em gestação desenvolver-se como qualquer pessoa?, se puder sobreviver ao parto: Terá consciência de si mesmo para poder traçar um projeto de vida que lhe trará sentido a esta, a partir de sua subjetividade?, O que nos diz a ciência a respeito disso?. Se nos portarmos assim, o raciocínio é menos egoísta e mais voltado ao ser em gestação e demais envolvidos nesta situação dolorosa. Sobre isso, insisto na pergunta acerca do sofrimento que pode derivar de tais experiências trágicas: Qual o sentido na dor de toda uma família e do próprio bebê (caso sobreviva ao parto) se esta dor será em vão (pelo menos, sob um ponto de vista não espiritual)?
Sem dúvida, o assunto dos diagnósticos médicos e complexo, considerando que representa um tema totalmente técnico. Por isso mesmo, é importante que a legislação trace um objetivo claro: obter dos médicos posições científicas, sem viés ideológico. Em outras palavras, não se pede dos médicos que eles tragam suas opiniões sobre a pertinência de interromper (ou não) uma gestação, mas apenas se um caso se aplica ou não à lei. Desta forma, ainda que não estejam de acordo com a possibilidade de interromper uma gestação, os médicos deveriam entender que seu papel é outro, ainda que – por princípios – sempre possam negar-se a participarem da intervenção em si.
O importante aqui é que os médicos não confundam sua legítima opinião política com a evidência média existente, que é o que nos interessa.
De toda forma, sobre esta falácia tem de fazer um adendo; quem se opõe à idéia de legislar com base em eventuais erros de diagnósticos médicos, deveria reconhecer que sua aversão ao aborto, nestes casos, não é por princípios, mas sim devido a assuntos técnicos.
Em suma, tudo que estiver além de um diagnóstico médico devidamente fundamentado em evidências científicas disponíveis resulta da fé – fé nos desígnios de Deus, na esperança de que se realize um milagre ou na dúvida de que a pessoa será ou não capaz de enfrentar esta dura situação – questões de fé e/ou crenças pessoais.
8ª Falácia: “Não se pode legislar para atender à exceção”
Muitos dos que opinam – de um lado e de outro – caem na armadilha de fundamentar suas posturas na quantidade (baixa ou considerável, de acordo com o ponto de vista) de gestações que apresentam complicações como as que expusemos.
Mas, novamente, esse não é o focoda discussão. O que interessa aqui é outra coisa: O estado pode permitir que se violem direitos fundamentais?, Ou o papel do Estado (respeitar e promover) depende do número de pessoas que possam ser afetadas? Ainda que sejam casos execpcionais, o impacto emocional é altíssimo e machuca toda uma família. Todos nascemos livres e iguais em dignidade e direitos. Pelo menos assim diz nossa Constituição.
9ª Falácia: “Nossos parlamentares não podem nem devem trair suas crenças religiosas no momento de aprovar leis”
Esta é um grande falácia que busca prender nossos parlamentares em uma encruzilhada falsa (semelhante àquela em que podem acreditar os médicos, segundo tratado na falácia nº 7)
Todo o tempo, os parlamentares devem obrigatoriamente legislar para todos, independentemente dos credos a que eles aderem. Devem respeitar a todos sem exceção. Essa é a única atitude que se concilia com o respeito ao direito à liberdade de crenças, reconhecido por nossa Constituição. Como é evidente, a lei não nos pode obrigar a assistir à missa todos os domingos ou a nos casarmos na igreja; para citar poucos exemplos. Não é a mesma coisa cometer um pecado e cometer um crime.
Mas parece que muitos políticos não entendem algo tão básico a um regime democrático. Por exemplo, em um debate organizado pelo senador Mariano Ruiz-Esquide, em janeiro de 2011, o candidato Mario Venegas Cárdenas (democrata cristão) assinalou que “o outro não costuma usar na vida sua condição de católico ao elaborar leis; não sei como poderia fazê-lo durante o cargo”. No mesmo evento, o ex-Ministro da Saúde, Osvaldo Artaza, também caiu na armadilha desta falácia, quando disse que prefere não opinar sobre a legislação acerca da interrupção da gestação por causas determinadas, porque lhe parece impossível “tirar o preconceito religioso”.
A ilusão de que não existe aqui um dilema ético é falsa. Qualquer pessoa tem o direito de acreditar em qualquer divindade, na natureza ou no que for. Pode, também, fazer todo o possível para converter o maior número possível de pessoas a sua moral. Mas isso é muito diferente de utilizar a lei para obrigar alguém a seguir tais dogmas.
Digo mais, ainda que exista uma crença majoritária em um país, não é constitucional legislar em benefício desta. Como já sabemos, os direitos fundamentais estão fora dos caprichos da maioria.
Imagino que nossos parlamentares saibam o que implica viver em um Estado laico, por isso é esperado que antes de opinarem e votarem sobre este tema em particular visualizem a armadilha ou encruzilhada falsa em que podem cair. Em resumo, espera-se que o debate se faça com argumentos laicos, que é o que se busca em uma democracia.
10ª Falácia: “O direito à vida sempre se sobreporá a qualquer outro direito fundamental”
Sobre o assunto, o senador Chahuán – a quem respeito e admiro – disse: Quem defende, como eu, a vida desde o momento da concepção não o faz por razões religiosas, faz isso porque acredita nos direitos do ser humano e aí há um conflito entre os direitos reprodutivos da mulher e o direito daquele que está para nascer, que não tem quem o defenda. E portanto, há um choque de direitos e temos de resolver a partir disso.
Poderíamos fazer muitos comentários a partir desta fala, mas interessa ao lugar-comum que comentamos realizar uma discussão prévia sobre o juízo de valor que o senador assume como um juízo de fatos: que aquele que está para nascer não é só um sujeito sob proteção jurídica, mas também um sujeito de direito, como qualquer pessoa – desde o momento da concepção.
Só se admite que este juízo de valor é obrigatório para todos nós (estejamos ou não de acordo), se tratarmos de uma colisão de direitos.
Ainda que aceitemos tal premissa, existem muitos direitos fundamentais em jogo, sobre os quais devemos ponderar adequadamente: a vida e a integridade física e psíquica; a liberdade de consciência, a igualdade diante da lei, entre outras coisas.
Sobre o direito à vida, é claro que este é o direito fundamental mais relevante para todos. A razão para tal? Somente estando vivos poderemos nos desenvolver enquanto pessoas, exercermos nossos direitos, realizarmos nossos projetos e alcançarmos nossas metas. Em resumo, o direito à vida é o direito mais importante porque – como é lógico – sem este é impossível alcançarmos o projeto de vida de nosso interesse. Pois bem, nos casos de inviabilidade fetal ou má formação severa do cérebro, os danos impedem que o ser que poderá nascer se desenvolva como um agente moral autônomo, logo o argumento do direito à vida como primordial em quaisquer circunstâncias fica interditado, porque não é justificável perante os fundamentos que o sustentam.
Conforme dito acima, qualquer análise no contexto de colisão de direitos possibilitaria concluir que permitir (não impor) a interrupção da gestação devido à causa comentada é a única alternativa que permite resolver de maneira plena – desde a perspectiva dos direitos fundamentais – situações complexas como estas. Porque diante de casos como estes, a única instância a que devemos ser fieis é a nossas convicções e crenças.
Espero que nestas linhas tenha abordado, como meu testemunho e opiniões, o debate necessário que nossa sociedade deve enfrentar e não mais varrer para debaixo do tapete. Como diriam em qualquer igreja deste país: É justo e necessário!
Seguem perguntas respondidas por INRI CRISTO concernentes à interrupção da gestação:
 
Como o Senhor se posiciona face à questão do aborto?
INRI CRISTO: “A princípio não sou a favor do aborto, mas, como vivo dentro da realidade, sou racionalmente a favor da vida; todavia, vida com dignidade. Meu PAI, SENHOR e DEUS disse: ‘Crescei e multiplicai vos…’ (Gênesis c.1 v.28). Mas, porque Ele é perfeito e abomina a imperfeição, não disse: ‘Crescei e multiplicai-vos desordenadamente’. Reconheço a necessidade da interrupção da gestação em determinados casos, entre os quais estupro e perigo de vida para a gestante etc., consciente de que a medicina vem de DEUS (Eclesiástico c.38). Se o ALTÍSSIMO inspirou os cientistas facultando lhes descobrir a anormalidade de um feto através da ultra-sonografia, obviamente está indicando a imperiosa necessidade de interromper em tempo hábil a gestação a fim de que não nasça um ser imperfeito, outrossim se for detectado que o feto ceifará a vida física da mulher ao se desvencilhar do cordão umbilical. Enquanto o feto não é auto suficiente, não sobrevive independente da gestante, não representa uma vida, posto que o espírito só é acoplado ao corpo físico quando o nascituro aspira o primeiro hausto de ar vivificante. Não sou a favor do aborto, bom seria que ninguém pecasse. Agora, como a relação carnal é um hábito instituído, então, aborto em última instância é o único paliativo nas situações socialmente extremas (entre os males, o menor). Eu mesmo, antes de ser crucificado, adverti: ‘Se algum membro do teu corpo for motivo para escândalo, arranca-o e atira-o para longe de ti’ (Mateus c.5 v.29). Os integrantes da hierarquia do Vaticano não são estuprados. Ao contrário, conforme diversos artigos jornalísticos (Veja nº 1748, de 24/04/02, Época nº 192, de 21/01/02, etc.), eles são estupradores, geralmente de crianças… Mesmo se fossem estuprados, não correriam o risco de engravidar. É muito fácil e cômodo um arcebesta (‘arcebispo’) escudado em seu luxuoso palácio decidir que uma pobre mulher deve carregar em seu ventre o descendente de seu algoz estuprador”.
 
Na sua opinião, por que a igreja católica se posiciona tão radicalmente contra o aborto e o controle da natalidade?
INRI CRISTO: “Mesmo que alguns ímpios, hipócritas malvados, canalhas, venham a pensar que os filhos do estupro morrerão de fome, conjecturando: ‘Deixem que nasçam, depois nós os veremos morrer de fome, de verminose, drogados, assassinados nas esquinas sociais…’, antes, porém, servirão aos propósitos dos abutres da proscrita igreja romana, que se utilizarão destes espectros humanos para tocar fundo o lado sensível dos corações das elites e chantagear proventos para manutenção da luxúria do sodomista e gomorrento principado de iniqüidades, em substituição ao dízimo e ao decadente comércio de sacramentos falsos (todo e qualquer sacramento com preço é falso, desde que eu disse quando me chamava Jesus: ‘Dai de graça o que de graça recebestes’ – Mateus c.10 v.8). Unicamente as pessoas cruéis, mal intencionadas, estimulam a procriação desordenada e tentam inibir o controle da natalidade, uma vez que têm inconfessáveis intenções lucrativas e sobrevivem às custas dos miseráveis, pedindo esmola em nome dos pobres e das crianças desamparadas. É sórdido, asqueroso, difícil acreditar que haja seres humanos tão cruéis, tão perversos a ponto de se deleitar com a miséria, o desamparo e a fome dos pequeninos que nascem sem lar, sem teto. Só arrancando as vendas dos olhos vos será dado compreender que não são seres humanos e sim humanóides, espevôs (espermatozóides pseudo evoluídos), seres bestiais. Uma nota divulgada pela CNBB (Folha de São Paulo 30/08/1997) disse o seguinte: ‘Precisamos de gestos significativos da sociedade que nos levem a dar assistência às gestantes angustiadas vítimas de violências ou risco de vida, bem como amparo aos nascituros e nascidos que são abandonados e rejeitados’. Aqui está o verdadeiro (e sórdido) motivo da posição da CNBB contra o aborto e o controle da natalidade: a proscrita igreja romana quer continuar extorquindo e lucrando cada vez mais em cima da miséria e do sofrimento dos mais pobres. Aliás, é público e notório: mulher rica que deseja abortar não enfrenta problema. Basta recorrer a uma clínica particular e pagar a quantia requerida sem precisar dar motivo ou explicação (Programa Fantástico 24/08/1997). Neste caso, nem a CNBB nem suas matilhas de carolas ‘virtuosos’ mostram a menor indignação a respeito…”
 

Interrupção de gravidez de anencéfalo ‘não é aborto’, diz entidade

Interrupção de gravidez de anencéfalo ‘não é aborto’, diz entidade

27/09/2012

Defesa diz que em feto sem cérebro ‘não há vida em sentido técnico’. Procurador-geral da República concordou com tese apresentada no STF.
O advogado Luís Roberto Barroso, que defendeu a liberação do aborto no caso de anencefalia (ausência de cérebro) (Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil)
O advogado Luís Roberto Barroso, que defende os interesses da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde – entidade que pede a liberação do aborto de fetos anencéfalos (sem cérebro) -, afirmou durante julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (11) que “não é aborto” a interrupção da gravidez nesses casos. Para ele, como o feto não tem cérebro “não há vida em sentido técnico”.

“A interrupção nesses casos não é aborto. Então, não se enquadra na definição de aborto do Código Penal. O feto anencefálico não terá vida extra-uterina. No feto anencefálico, o cérebro sequer começa a funcionar. Então não há vida em sentido técnico e jurídico. De aborto não se trata”, afirmou Barroso durante sua sustentação oral no plenário do STF.

Após sua fala, o advogado voltou a defender sua tese em frente ao plenário. “Não constitui aborto. A anencefalia é uma má-formação incompatível com a vida. Interromper uma gestação no caso em que o feto não tem vida potencial não configura aborto.”
O Supremo começou na manhã desta quarta-feira (11) o julgamento da ação que pede que seja liberada a interrupção da gravidez de feto sem cérebro. Atualmente, a lei brasileira considera o aborto como crime e não há exceção para o caso de anencéfalos. Para interromper a gravidez nesses casos, as mães precisam de autorização judicial.
Saiba mais:
A ação analisada é uma arguição de descumprimento de preceito fundamental – utilizada para fazer valer um princípio da Constituição -, apresentada em 2004 pela CNTS. Segundo Barroso, “está em jogo [no Supremo] uma questão decisiva que é a dos direitos reprodutivos” das mulheres. Ele afirmou ainda que a letalidade nos casos de fetos anencéfalos é de 100%, comprovada por estudos científicos.

“Obrigá-la [a mulher] a passar por todas as tranformações que passa uma gestante no período da gravidez trata-se de uma tortura psicológica a que se submete essa mulher. Essa mulher não sairá da maternidade um com um berço, ela saíra da maternidade com um pequeno caixão. E terá de tomar remédios para secar o leite que produziu para ninguém. Levar a termos essa gravidez deve ser escolha da mulher. O Estado não tem direito de fazer essa escolha em nome da mulher”, afirmou Barroso.

Ainda de acordo com o advogado, “países modernos não criminalizam a interrupção da gestação”. Ele citou exemplos do Canadá , EUA, França Alemanha, Reino Unido, Espanha, Portugal, Holanda, Japão e Rússia. “A criminalização é um fenômeno do subdesenvolvimento. Estamos atrasados e com pressa.”

Procurador-geral

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, falou após o advogado no plenário do Supremo e também defendeu a liberação do aborto de feto anencéfalo. Ele concordou com a tese apresentada pela defesa da entidade.

“Nada justifica uma restrição tão intensa ao direito à liberdade e autonomia reprodutiva. A mulher tem restrição desproporcional a um direito fundamental de elevada importância na escala de valores constitucionais. A proibição da interrupção da gravidez nessas trágicas circunstâncias tende a agravar e prolongar essa dor.”

Gurgel também argumentou que não se caracteriza vida na anencefalia. “Na verdade, a antecipação terapêutica do parto significaria hipótese de aborto eugênico. Este pressupõe a viabilidade do feto, da vida extra-uterina, o que não se caracteriza na anencefalia.”

Para o PGR, interromper a gestação nesses casos é direito fundamental da gestante. “Se está sustentando que a escolha do que fazer nessa dificil situação deve competir a gestante, que deve julgar de acordo com sua consciência, e não ao Estado”.

Em parecer enviado ao STF em 2009, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que o STF autorize a “antecipação terapêutica” de parto nos casos de fetos anencéfalos. Para a PGR, impedir a mulher de decidir sobre a interrupção da gravidez nesses casos fere o direito à liberdade, à privacidade e à autonomia reprodutiva, o princípio da dignidade da pessoa humana e o direito à saúde.

Julgamento

A decisão do Supremo será seguida pelas demais instâncias da Justiça em casos semelhantes.

Para que o aborto seja totalmente permitido nos casos de anencefalia, e o procedimento não tenha que esperar por uma decisão judicial em cada caso, o Congresso teria de aprovar uma lei descriminalizando o aborto de anencéfalos. Atualmente, tramitam no Congresso duas propostas relacionadas ao tema, e nenhuma tem previsão para ser votada.

O ministro José Antônio Dias Toffoli se declarou impedido de participar do julgamento. O motivo é o fato de o ministro ter participado do processo enquanto era advogado-geral da União e ter emitido parecer a favor da legalidade da interrupção da gravidez nos casos de fetos sem cérebro.

Anencefalia

A chamada anencefalia é uma grave malformação fetal que resulta da falha de fechamento do tubo neural (a estrutura que dá origem ao cérebro e a medula espinhal), levando à ausência de cérebro, calota craniana e couro cabeludo. A junção desses problemas impede qualquer possibilidade de o bebê sobreviver, mesmo se chegar a nascer.

Estimativas médicas apontam para uma incidência de aproximadamente um caso a cada mil nascidos vivos no Brasil. Cerca de 50% dos fetos anencéfalos apresenta parada dos batimentos cardíacos fetais antes mesmo do parto, morrendo dentro do útero da gestante, de acordo com dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Um pequeno percentual desses fetos apresenta batimentos cardíacos e movimentos respiratórios fora do útero, funções que podem persistir por algumas horas e, em raras situações, por mais de um dia.

O diagnóstico pode ser dado com total precisão pelo exame de ultrassom e pode ser detectado em até três meses de gestação.

Fonte: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/interrupcao-de-gravidez-de-anencefalo-nao-e-aborto-diz-entidade.html

 

INRI CRISTO fala sobre a interrupção da gravidez (aborto)

INRI CRISTO fala sobre a interrupção da gravidez (aborto)

27/09/²012

INRI CRISTO: “A princípio é mister esclarecer que sou a favor da vida com dignidade. É público e notório que a legalização do aborto no Brasil consiste numa questão de saúde pública; até a ONU já externou a sua relevante opinião (ver matéria: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,onu-critica-legislacao-brasileira-e-cobra-pais-por-mortes-em-abortos-de-risco,837316,0.htm?p=1). Todos que são contra a liberação do aborto no Brasil estão falaciando e preparando-se para a derrota, emitindo os últimos cantos de cisne, como aconteceu na Itália, Espanha, Portugal… onde hoje o aborto está legalizado. Só quem insiste em usar viseira não enxerga que existem oficialmente mais de 1 bilhão de pessoas famintas na Terra. É mais salutar, preferível interromper a gestação logo nas primeiras semanas do que assistir a 200 mil mulheres morrendo por ano no Brasil ao tentar provocar o aborto clandestinamente, além das que jogam seus recém-nascidos em lagoas, vasos sanitários e latas de lixo, como exposto constantemente nos noticiários. Entre os males, que prevaleça o menor: interrompendo a gestação nos primeiros meses, pode-se evitar a tortura de uma adolescente de 12, 13 anos (que mais adiante será abandonada por essa mesma sociedade que é contra o aborto) desprezada, pedindo esmola e cheirando crack nas ruas com seu rebento no colo ou no ventre, como a mídia nos tem mostrado. Assim, depois que a criança gerou o feto e ele veio ao mundo, ela é abandonada. Aliás, ela só é usada para, em nome desses recém-nascidos, sensibilizar os corações das elites. O dinheiro fica partilhado entre os “grandes”; as crianças continuam gerando crianças e o lucro continua no bolso dos que exploram a elite hipócrita em nome dos desamparados, dos menos favorecidos sem teto. Ademais, só os homens que já engravidaram ou pretendem engravidar podem opinar sobre o aborto, assim como só as mulheres que tiveram ou postulam ter problemas de próstata podem opinar sobre as conseqüências do massageamento da próstata. Digo isto porque só uma mulher sabe se gostaria de carregar no ventre um feto anencéfalo, para nove meses depois proceder com uma cerimônia fúnebre (sendo torturada durante todo esse tempo com o pensamento de como será o futuro funeral) ou se preferirá logo se desvencilhar do feto anormal conforme preveni há mais de dois mil anos: ‘Se algum membro do teu corpo for motivo para escândalo, arranca-o e atira-o para longe de ti’ (Mateus c.5 v.29). Em se desvencilhando, poderá ser fecundada novamente para nove meses depois festejar o nascimento de um filho. Logo, só a mulher pode decidir. É mister analisar o relato da Dra. Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e professora Titular de Genética Humana da USP (áudio-entrevista: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/jornal-da-cbn/2012/04/11/ABORTO-DE-ANENCEFALOS-E-A-INTERRUPCAO-DE-UM-SOFRIMENTO.htm. Ao participar de um procedimento nos Estados Unidos, ela menciona que os profissionais da saúde deram a notícia de anencefalia à gestante num momento em que ela podia tomar a decisão imediata de interromper a gestação – enquanto que no Brasil mulheres, crianças esperam meses para obter autorização judicial a fim de proceder à interrupção. Sou contra o aborto e racionalmente a favor da interrupção da gravidez em caso de anencefalia, estupro ou em extremos indesejáveis. O termo aborto está muito demonizado, por isso vale ressaltar que sou racionalmente a favor da interrupção da gravidez indesejada. Ou seja: pró-vida com dignidade”.
 

INRI CRISTO elucida a questão do aborto

INRI CRISTO elucida a questão do aborto

27/09/2012

O internauta William Magalhães fez a seguinte pergunta a INRI CRISTO:

Sr. Inri Cristo, estou lendo a sessão “Sem censura” de seu site e fiquei positivamente impressionado com a profundidade e clareza das respostas. Embora ainda não tenha lido todas as perguntas e respostas um dos temas chamou muito a minha atenção. Em uma das questões, questionado sobre o aborto, o Sr. explica que a vida propriamente dita (união da matéria com o espírito) só se dá quando o recém nascido aspira o ar pela primeira vez. Esta resposta me deixou em dúvida, pois sempre acreditei que a união do espírito reencarnante com a matéria se dá no momento da fecundação, quando passa a existir um ser diferente da mãe e do pai, com um novo DNA. Fiquei também pensativo pois, a prevalecer o entendimento do Sr., então o aborto, ainda que no final da gravidez, não seria tão culpável como imaginamos, pois apenas teríamos a expulsão de matéria orgânica “viva”, mas sem vida, já que ainda sem espírito. No entanto, Sr. Inri Cristo, a ciência nos demonstra que o feto humano é passível de emoções como alegria, medo e até mesmo “stress”. Experiências demonstram que com alguns meses de gestação, depois de formado o aparelho auditivo, o feto é capaz de reconhecer a voz da mãe, que lhe funciona como acalento. Por seu turno, em sessões de regressão é possível fazer as pessoas lembrarem-se de fatos que aconteceram enquanto ainda estavam na barriga de suas mães. Como justificar sua resposta (de que a vida só surge quando o recém nascido aspira o ar pela primeira vez) quando confrontados com estes dados, todos conseguidos com base em pesquisas científicas sérias? Uma massa orgânica, se não tiver um espírito, é incapaz de emoções e, menos ainda, de possuir recordações e reconhecer a voz de sua mãe…
Aguardo uma resposta do Sr.
Deus nos abençoe a todos,William 

Em resposta ao questionamento do internauta William Magalhães, eis o pronunciamento de INRI CRISTO:

Assim falou INRI CRISTO:
 
“É mister salientar que feto só pode ser considerado uma criança quando é passível de ser criado independente do corpo da gestante, ou seja, quando sobrevive desvinculado do cordão umbilical. Enquanto o feto depende do corpo da gestante, ele existe como mais um membro do corpo da mulher, é meramente um conjunto de células em multiplicação. A partir do momento em que o feto tem condições de ser criado independente do corpo da gestante, só então é possível lhe atribuir o status de criança, e neste caso, torna-se ilícito recorrer ao aborto. É preferível abortar do que jogar crianças em latas de lixo, em riachos, abandoná-las nas ruas, como tem sido noticiado sistematicamente nos meios de comunicação; mais um dos sinais do fim dos tempos.
 
Está comprovado cientificamente que o feto já tem todos os seus órgãos formados desde o segundo mês (incluindo as impressões digitais), seu cérebro já produz ondas desde as 6 semanas (um mês e meio), seu coração funciona desde os 21 dias (menos de um mês após a concepção). Mas ocorre que a vida do feto é somente a vida física, a vida que a gestante lhe dá, não é vida emanada do espírito, do sopro divino; se a genitora sente emoções de medo, alegria, stress, e libera hormônios na corrente sanguínea, ela automaticamente transmite essas emoções ao feto uma vez que ele está diretamente vinculado ao corpo dela, mas não é o espírito do feto que origina as sensações, posto que o espírito ainda não habita a corrente sanguínea (tendo em vista que o sangue é a morada do espírito e é no sangue que o espírito permanece acoplado durante a vida terrena). A partir do momento em que o feto tem nervos, e os nervos recebem estímulos, é natural, completamente normal que ele responda a esses estímulos e até registre as impressões exteriores na região do cérebro concernente à memória (assim é possível compreender por que os que se submetem ao processo de regressão adentram nas lembranças do período intra-uterino). Reitero uma vez mais que o espírito só é acoplado ao corpo físico quando o nascituro aspira o primeiro hausto de ar vivificante; após aguardar durante toda a gestação o momento de reencarnar, o espírito se apossa do corpo no preciso momento em que a criança enche de ar os pulmões. E ainda assim, o espírito só adquire a individualidade quando é cortado o cordão umbilical. Isso é o que o SENHOR, meu PAI, me mostrou e não se aprende nas academias dos homens. No afã de ilustrar o que vos acabo de afirmar, visito as catacumbas dos séculos e concedo uma homenagem póstuma ao René Descartes, um cientista inspirado por DEUS que se dedicou ao estudo das ciências independente das academias. Quando dissecava cadáveres em seus estudos, no século XVII, ele chegou à conclusão de que a vida do feto depende da gestante; o feto não tem vida própria uma vez que seus pulmões não funcionam, não aspiram o ar vital. Ele escreveu no seuDiscurso do Método: “(…) Comprova-se isto nos animais sem pulmões, que têm apenas uma concavidade no coração, e nas crianças, que, não os podendo usar enquanto estão dentro do ventre materno, têm uma abertura por onde escoa sangue da veia cava para a concavidade esquerda do coração, e num conduto por onde o sangue vem da veia arteriosa para a grande artéria, sem passar pelos pulmões (…)”.
 
Enquanto o espírito não se apossou do corpo, o feto não tem status de criança. Aproximadamente a partir dos cinco meses de gestação, enfim, a partir do momento em que ele consiga sobreviver fora do ventre da gestante, seja na incubadora, não importa por que meio, ele adquire então o status de criança. Aí cabe aos cientistas determinar, calcular a partir de que momento o feto estará apto a sobreviver fora do ventre da gestante. Melhor não ter que abortar, mas na necessidade de recorrer ao aborto, então que se faça já nas primeiras semanas, de preferência até o terceiro mês de gestação.
 
O espírito que aguarda o momento de acoplar é apenas um candidato a reencarnar, mas ele ainda não está conectado ao corpo no ventre da mulher. Acontece que, se uma mulher consegue abortar, aquele espírito terá que esperar uma próxima oportunidade, e como meu PAI é o SENHOR da vida e o SENHOR do destino, se a mulher consegue abortar, significa que aquele corpo não estava destinado para aquele espírito; se estivesse, a mulher não conseguiria abortar, haveria um impedimento. Conheci o caso de uma mulher que saiu da mesa do ginecologista na última hora e não abortou.
 
Conforme eu já disse e repito, não sou a favor do aborto, mas, como enxergo a realidade crua e nua, sou racionalmente a favor da vida, todavia vida com dignidade. Já que a relação sexual é um hábito instituído e a explosão demográfica salta aos olhos, então é necessário, imperativo que se recorra ao controle da natalidade, primeiramente pelo incentivo de métodos contraceptivos (de preferência os menos agressivos à saúde) e, em última instância, ao aborto como paliativo nas situações socialmente extremas (entre os males, que prevaleça o menor). Antes recorrer ao aborto do que despejar (isso mesmo, meus filhos, despejar) no mundo milhares de crianças que dificilmente se escaparão da miséria, da fome e do descaso, tendo que pedir esmolas nas ruas, isso quando não se tornam menores delinqüentes, os futuros “bandidos” discriminados pela sociedade, mas que a própria sociedade hipócrita e falsamente moralista ajudou a formar. Já que todos estão à mercê das tentações, dos pecados da carne, da parte de meu PAI eu vos revelo que o aborto é um pecado menor (que a mulher já purga ao se submeter ao constrangimento, à tortura na ocasião da curetagem efetuada pelo ginecologista) comparado ao gravíssimo pecado de pôr no mundo mais um ser indefeso, impotente, sem as devidas condições de educá-lo e fazê-lo crescer com dignidade.
 
É necessário que a humanidade saiba disso para acabar de vez com essa abominável chantagem, essas ameaças, essa maldição imposta sobre as indefesas mulheres pelos pseudo-religiosos que vilipendiam, desprezam, atropelam por motivos sórdidos o que eu falei há dois mil anos: Se algum membro de teu corpo for motivo para escândalo, arranca-o fora e atira-o para longe de ti” (Mateus c.5 v.29). Não existe nada mais escandaloso do que uma mulher carregar no ventre o feto produzido pelo estuprador e, depois de colocar mais um ser indesejado no mundo, ter que ficar odiando-o e culpando-o pelo resto da vida. Deixemos a hipocrisia de lado e sejamos realistas. A humanidade tem que se acordar, despertar deste torpor, deste sono letárgico; creiam ou não, eu estou aqui, voltei à Terra com a missão de esclarecer a lei de DEUS para que os meus filhos sejam verdadeiramente livres em suas consciências.
 
Convém lembrar uma vez mais: tudo o que fizeres que faz mal a ti ou a outrem é pecado; tudo que fizeres que não faz mal a ti nem aos outros não é pecado. A coerência, a lógica e a verdade são indissociáveis da lei divina. Os sensatos meditam e conscientizam-se”.